Benedita Fernandes

Dona Benedita Fernandes, nascida aos 27 de junho de 1883, em Campos Novos de Cunha (Estado de São Paulo), perambulou obsidiada nesta região Noroeste, até quando foi encaminhada ao Espiritismo por um confrade de Penápolis.

Após sua recuperação, atendendo ao voto de auxiliar ao próximo, fundou em Araçatuba, juntamente com outras senhoras, em 6 de março de 1932, a Associação para Senhoras Cristãs, transformando-se em mulher pioneira a fundar uma associação beneficente nesta região. Conseguiu ajuda da população e com sacrifício e esforço braçal, levantou casas de tábua, no Patrimônio de Dona Ida, hoje Bairro Santana, formando um Lar para Crianças e um Sanatório para doentes mentais. O Sanatório, que subsistiu, leva o seu nome.

 Dedicou-se também a tarefas mediúnicas e a evangelização infantil. Seus conterrâneos são unânimes em falar de sua humildade aliada a energia e amor ao próximo. Conta-se que as pessoas consideradas loucas eram trazidas amarradas e chegando ao Sanatório de D. Benedita, ela pedia para soltá-los e acalmava-os.

Seu trabalho tornou-se conhecido e era grande o atendimento de casos da região e até de lugares longínquos, mas, com sua energia e amor, sabia conduzir a obra, enfrentando as dificuldades. A população da cidade, que muito a respeitava e admirava, auxiliou-a em suas necessidades, principalmente a família Espírita, Maçonaria e o Comércio; era muito querida, sem distinção da religião.

Dona Benedita Fernandes possuía várias faculdades mediúnicas, utilizando-as para o bem. As crianças, que na maioria eram órfãs de pai e mãe, recebiam Aulas de Moral Cristã no lar; aos domingos, passeavam em sua companhia pela cidade, sendo que até ao momento de sua desencarnação estava a aconselhar os pequeninos.

Após sua desencarnação, ocorrida em 9 de outubro de 1947, em homenagem e reconhecimento ao trabalho árduo que tão bem soube executar, foi denominada “BENEDITA FERNANDES” a rua onde se erguem suas obras.

A Pré-Mocidade da Instituição Nosso Lar tem o nome de “Benedita Fernandes”.

NUM DOMINGO DE CALOR

Benedita Fernandes, abnegada fundadora da Associação das Senhoras Cristãs, de Araçatuba, no Estado de São Paulo, foi convidada para uma reunião de damas consagradas à caridade, para exame de vários problemas ligados a obras de assistência. E porque se dedicava, particularmente, aos obsidiados e doentes mentais, não pode esquivar-se. Entretanto, a presença da conhecida missionária causava espécie. O Domingo era de imenso calor e Benedita ostentava compacto manto de lã, apenas compreensível em tempo frio.

– Mania, cochichava alguém, à pequena distância.

– De tanto lidar com malucos, a pobre espírita enlouqueceu — dizia elegante senhora à companheira de poltrona, em tom confidencial.

– Isso é pura vaidade — falou outra — ela quer ser diferente.

– Caso de obsessão — certa amiga lembrou em voz baixa.

Benedita, porém, opinava nos tempos propostos, cheia de compreensão e amor.

Em meio aos trabalhos, contudo, por notar agitações na assembléia, a presidente alegou que Benedita suava por todos os poros, e, em razão disso, rogou a ela que tirasse o manto por gentileza.

Benedita Fernandes, embora constrangida, obedeceu com humildade e só aí as damas presentes puderam ver que a mulher admirável, que em Araçatuba atendia dezenas de enfermos, com suor do próprio corpo, envergava singelo vestido de chitão com remendos enormes.

HILÁRIO SILVA

(página recebida pelo médium Francisco Cândido Xavier, em 27/07/1963 e publicada pelo Anuário Espírita de 1964)


Dados coletados pela MOCIDADE ESPÍRITA “IRMA RAGAZZI MARTINS”, Departamento da Instituição “Nosso Lar”, Rua Emília Santos 985, Jardim Planalto, Araçatuba/SP, em 27/maio/1967.