Emília Santos

Aos 1º de janeiro de 1896, na longínqua cidade de Santa Maria da Vitória, na Bahia, o casal João Luiz dos Santos e dona Deolinda Maria da Conceição, recebia em seu lar mais uma filha que chamou-se EMÍLIA SANTOS, Espírito que voltava à Terra para desempenhar apostolado de sofrimento e profícuo trabalho na Seara do Cristo.

Desde tenra idade, privada do doce afago de seus pais e parentes, viu-se sozinha no mundo e emigrou para o Estado de São Paulo. Aqui, com simples profissão, lutando pelo pão de cada dia, e após muito sofrer encontrou algo que lhe falou ao coração e impulsionou-lhe o espírito para a grande Jornada da Espiritualização. Ante seus olhos extasiados, abria-se o horizonte de um novo mundo, repleto de luz e amor. A sublime mensagem do Evangelho, através do Consolador Prometido por Jesus, orvalhara-a de bençãos, fazendo desabrochar em seu sentimento a límpida e benfazeja flor da caridade.

Foi em Birigui, no Centro Espírita “Amor e Caridade”, que ela encontrou a Doutrina do consolo, o caminho onde avistou as pegadas do Sublime Nazareno. Este fato, marcava luminar marco em sua vida de Espírito Imortal: os ensinamentos Evangélicos germinaram em suas ações. Recebeu a missão da mediunidade, e infalivelmente praticou-a em favor do semelhante até sua volta para o mundo espiritual.

Sua palavra reanimadora e consoladora, passe mediúnico, auxílio material e os lanches que preparava com tanto amor eram levados desde casebres e bairros pobres até hospitais, casas assistenciais e presídios. A dor e o sofrimento do próximo preocupavam seu coração; as palavras de Jesus ecoavam sempre em seu Espírito: “…e quando auxiliardes a um deste pequenino, é a mim que o fazeis.

Do seu sublime ideal de servir ao Cristo, juntamente com Rolando Perri Cefaly, fez nascer duas casas de caridade: INSTITUIÇÂO “NOSSO LAR” e CASA TRANSITÓRIA, onde dedicou amorosamente seu labor evangélico e, também à evangelização da criança na AULA DE MORAL CRISTÃ NÉIO LÚCIO, por ela iniciada, preparando nova geração para o amanhã. Com seus três anos de trabalho intenso nestas duas Obras Assistenciais, no dia 26 de setembro de 1964, entregou ao Cristo sua missão de sofrimento e muito trabalho pela Causa Cristã.

Logo após seu desencarne, instalou-se a MOCIDADE ESPÍRITA “IRMA RAGAZZI MARTINS”, um de seus últimos desejos expressos para dar continuidade de estudo aos jovens que evangelizou quando crianças.

Ao raiar de um Ano Novo, 1º de janeiro de 1966, data que exprime significante acontecimento para a sua evolução, a data de seu nascimento, ROLANDO PERRI CEFALY, valoroso companheiro de trabalho de dona Emília, materializou seu maior desejo íntimo, construiu a CASA DA SOPA, que iria dar sopa no almoço e no jantar todos os dias, e assim abriram-se as portas da Casa da Sopa, que numa justa e autêntica homenagem e reconhecimento pela sua vida de humildade, amor e dedicação ao próximo, inteiramente oferecida ao Divino Mestre, denominou-se CASA DA SOPA “EMÍLIA SANTOS”.


(Extraído do Arquivo de Dados Históricos da Mocidade Espírita “Irma Ragazzi Martins”, Departamento da Instituição “Nosso Lar”)

Araçatuba-SP, 1º de janeiro de 1967